Terça-feira, 17 de Outubro de 2006

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Em Ruivães, nada vai bem!

Acabado de regressar de férias em Ruivães, não posso deixar de fazer uma análise ao que me foi dado ver, que de bom, pouco foi. Com estes reparos, não pretendo ferir susceptibilidades, nem dizer mal por dizer, mas apenas criticar o que é criticável, com o intuito de assim contribuir para a reparação das anormalidades aqui apontadas.
O mês de Agosto, predilecto para férias e ainda mais com a aliciante da festa anual, sempre povoou Ruivães fazendo lembrar a vila doutros tempos, com as ruas cheias de vida, contrastando com a monotonia dos restantes meses do ano. Porém, a tradição já não é o que era, pois de ano para ano são cada vez menos aqueles que voltam para gozo de férias na nossa aldeia. Sobram dedos das mãos, para contar os emigrantes que vieram à terra em Agosto, e imigrantes como eu, poucos mais seriam. Ou os ruivanenses escolheram outros destinos para férias, ou a vida está mesmo tão má, que prescindem delas seguindo o tal regímen de contenção. O que eu acho na realidade, é que incentivos para escolher Ruivães como local de férias, são cada vez mais reduzidos, e tende a piorar já que nada se faz para inverter este rumo. Quem é da terra e a visita esporadicamente, espera sempre descobrir algo de novo, mas... o que acontece é que o progresso passa ao lado. Em Ruivães, nada progride, antes regride, havendo por isso cada vez menos vontade de ali ir. Com quem é forasteiro, passa-se o mesmo, pois o que lhe é dado ver não deixa assim tão boa impressão, que fique com vontade de voltar. Alguns dos atractivos de que Ruivães dispunha, estão votados ao abandono. Quem percorre as ruas da vila, a cada passo se lhe deparam ruínas fantasmagóricas do que foram grandes casas, algumas solarengas, que podiam ainda ser recuperadas. Sabe-se no entanto, que mesmo em ruínas, os proprietários pedem por elas fabulosas quantias. É mesmo vontade de não fazer, nem deixar que alguém o faça! Tratando-se porém do património da vila, se os proprietários o não fazem, à Junta competiria tentar junto dos organismos do Estado que actuam nestas circunstâncias, requerer um estudo desse património. A partir daí, quem sabe se a exemplo do que tem acontecido em muitas aldeias do interior, não seria Ruivães candidata à recuperação e classificação como local de interesse público? Impõe-se que quem gere os destinos da nossa vila, no mínimo faça nesse sentido uma tentativa junto do IPAAR (Instituto Português do Património Arquitectónico), porque se nada dai resultar, pelo menos valerá a intenção! Através desse Instituto, o Estado, disponibiliza fundos a que qualquer autarquia se pode candidatar. Mas para isso, é necessário haver um contacto, um pedido de estudo, enfim dizer a esses Senhores que somos uma vila histórica em degradação, e temos muito património que precisa de ser preservado. Uma simples missiva que terá isso sim, de ser escrita por alguém. E... esse alguém, que a escreva! 
Manuel Joaquim F. de Barros
Noticia retirada d' O Jornal de Vieira nº 794 - 15/10/2006.
Vila de Ruivães às 22:13

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3 comentários:
De Cusco a 18 de Outubro de 2006 às 12:09
É exactamente isso que se tem que fazer. Ou se trabalha mais em prol da nossa freguesia ou depois será demasiado tarde. Não haverá quem se fixe na terra e como consequência outros problemas vêm por acréscimo. Reparem, quem quererá fazer uma casa onde não há ninguém e não tarda muito ainda ficamos sem bombeiros, Centro de Saúde e será quase certo ficar sem urgências nocturnas em Vieira do Minho. Depois, claro, vemos casas abandonadas e não as querem vender porque certamente pretendem ganhar muito dinheiro. Temos que ser realistas! Para além disso há o problema do PDM, que proibe a construção em locais onde, pessoalmente, não vejo impedimento para tal. Mas se forem certos "senhores", só falta construir em pleno Talefe ou no meio da Barragem. Há muita coisa para mudar e essa mudança deve ser urgente. E com tudo isto há já problemas na nossa freguesia que não tem solução. Relativamente a outros ainda vamos a tempo.
De PM a 18 de Outubro de 2006 às 12:34
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Uma simples missiva que terá isso sim, de ser escrita por alguém. E... esse alguém, que a escreva!
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e esse alguém (de direito) que a escreva nem que seja para proveito próprio, que todo os outros irão por arrasto.
De paulo a 31 de Dezembro de 2006 às 14:17
quem diria que esta sucessão de artigos iria dar tanta celeuma!!!

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