Sábado, 17 de Novembro de 2007

Não sei porquê

Não sei porquê, mas creio que também não é importante a justificação do acto. As palavras soltam-se à medida que percorro o teclado. Estas andanças entre o Norte e o Sul do país levam-nos, por vezes, a viajar pelo nosso passado recente.

Foi precisamente numa desta viagens que me cruzei com pessoas da minha infância e que, por conseguinte, acabam por fazer parte daquilo que sou. Entre paragens fomos discorrendo sobre tempos idos e sobre o hoje que se apresenta bem menos apetecível, das pessoas que vimos partir, dos amigos que nunca mais vimos, das perspectivas que hoje temos. A conversa leva a que saibamos onde estão alguns daqueles meninos (as) que brincavam na escola, que percorriam caminhos íngremes e que no final das aulas ainda tinham de ir ajudar os seus pais nos trabalhos do campo.

Estas conversas revelam-se sempre nostálgicas e deixam sempre o sabor amargo de uma brevidade exagerada. É nestas horas que pedimos inconscientemente, de alguma forma, que o tempo pare. De novo no autocarro, sentados, cada qual no lugar marcado, procuram-se uns pelos outros. Quem sabe esta procura não consciente não seja a procura da identidade inerente ao indivíduo!

A noite começa a cair, olho para o relógio, são 17:45 min., ainda faltam algumas horas até ao destino. O olhar fixasse num ponto que nem eu sei bem qual e a ele acorrem imagens várias, de gentes, gestos e cheiros. Sim, porque a capacidade simbólica permite a construção de imagens através dos nossos sentidos. Neste momento Ruivães, Vale, salta-me à vista, ergue-se desenfreada uma vontade de tornar ao berço, à raiz, de tocar a terra, sentir o seu cheiro, abraça-la.

Por momentos ainda lhe toco, mas que o autocarro pára e é hora de pegar nas malas e mudar para o da frente. Separam-se os ruivanenses, um cumprimento e as palavras sinceras de felicidade, boa sorte e até breve!

 

 

 

Carla Silva

pontos de interesse:
Vila de Ruivães às 13:00

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1 comentário:
De bentocanela a 17 de Novembro de 2007 às 14:23
carla:
meus comprimentos forca estamos sempre com a nossa infancia na mente e bom sinal porque foi muito boa .
e os amigos estao sempre no nosso coracao


many thanks BENTO

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