Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Bento da Cruz - Escritor Barrosão

 

Contactei com a obra de Bento da Cruz casuisticamente. Numa manhã não muito distante, juntei o grupo habitual de amigos e fomos a uma feira do livro. Entre os muitos autores saltou-me à vista Bento da Cruz. Autor desconhecido, para mim, até então, e cuja escrita me apaixonou. Foi uma lufada de ar fresco, imbuída de um sentimento de nostalgia, aquele que se abateu sobre mim, aquando da leitura. Mas quem é Bento da Cruz?

0028s4sy (fotografia retirada da net)

Bento Gonçalves da Cruz nasceu em 1925, na aldeia de Peirezes, freguesia da Chã, concelho de Montalegre, Trás-os-Montes. Licenciou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, exercendo Odontologia em Trás-os-Montes e no Porto. Foi nesta cidade que fixou residência. Em 1959 publica em Coimbra sob o pseudónimo de Sabiel Truta o seu primeiro livro, uma colectânea de poemas intitulada Hemopise. Colaborou no suplemento literário do Jornal de Notícias e na Antologia da Poesia Contemporânea de Trás-os-Montes e Alto Douro, coordenada por Carlos Loures (Coleccção Setentrião, Vila Real, 1968). A propósito das tradições e vivências do Barroso, publicou várias obras de ficção. Ganhou o Prémio Literário Diário de Notícias em 1991. Após o 25 de Abril, fundou o quinzenário regionalista Correio do Planalto. Obras: Planalto em Chamas (1963), Ao Longo da Fronteira (1964), Filhas de Loth (1967), Contos de Gostofrio e Lamalonga (1973), O Lobo Guerrilheiro (198O), Planalto do Gostofrio (1982), Histórias da Vermelhinha (1991), Victor Branco, Escritor Barrosão – Vida e Obra (1995).

Ruralidade e memória são indissociáveis na obra deste autor. Brilhante na forma como redige, consegue despertar todos os sentidos, numa viagem e atenção maravilhosamente redobrada.

Diria que Bento da Cruz escreve com a alma, uma alma repleta de vivências, sentimento e inigualável conhecimento das realidades que retrata.

Fazendo das palavras de Friedrich von Novalis as minhas: “No Mundo tem de se viver com o Mundo. E só se vive, se for no sentido dos Homens com os quais se vive. Todo o bem que há no Mundo provém do interior (e portanto vem-lhe a ele do exterior), mas é apenas uma faísca que, veloz, o percorre. Todo o Excelente faz avançar o Mundo, mas deve desaparecer quanto antes.

 

 

 

 

Carla Silva

 

 

 

 

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Para ver mais referências a este autor nesta página, aqui.

 

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Vila de Ruivães às 20:01

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7 comentários:
De bentocanela a 19 de Setembro de 2007 às 22:39
muito bom trabalho carlinha
um beijinho do teu amigo bento
by by have a nice time
De Paulo a 20 de Setembro de 2007 às 18:55
desde cedo contactei com a obra de Bento da Cruz, por intermédio do meu pai que tem toda a sua obra ou quase toda. ainda não li todos os seus livros, mas posso dizer que é um autor que gosto muito de ler pois retrata muito da vida do antigamente da nossa zona. quando a Carla enviou o texto sobre ele, tomei a liberdade de lhe adicionar um link para um artigo anterior que aqui havia publicado no ano passado, pois por diversas vezes Bento da Cruz faz referencia a Ruivães e à importância que a nossa freguesia tinha antigamente. quando tiver oportunidade de ler ou reler as suas obras - normalmente só a tenho nas férias ... - colocarei aqui essas referências, talvez assim aguce o apetite para aqueles que não conhecem a sua obra, a passem a conhecer.

forte abraço para Porches (Algarve)!!!
De João Miguel a 27 de Maio de 2008 às 00:18
Olá! Estava a fazer uma pesquisa na Internet sobre este grande escritor da minha terra e de todo o Barroso e encontrei este interessante blog! Também eu sou um apaixonado dos livros deste grande amigo!
Assim, eu e outros colegas, estamos a construir uma página oficial de Bento da Cruz, com a sua devida autorização! O link será: www.bentodacruz.com (Actualmente em construção)! Conto com o teu apoio (porque todo é bem vindo) para a sua divulgação!
O mail: Peirezes@hotmail.com
De S. Marques a 21 de Setembro de 2007 às 00:41
Só aquele que lê com a alma pode escrever um artigo tão convidativo. E se alguma dúvida, houvesse, deixaria de existir depois de lidas e escutadas as palavras que se pronunciam sobre o autor. Leigo na matéria, aguçado o apetite, é hora de me fazer a uma livraria, loll. Mas, Carlinha, devo dizer-te, que não te conhecia estes dotes. Sempre a surpreender pela positiva, Claro!!!
De P. Martinho a 21 de Setembro de 2007 às 18:13
Subscrevo os comentários anteriores. foi com muito agrado que li o Post. Porém, uma sugestão: "casuisticamente", casuística s. f.,
parte da teologia que estuda os casos de consciência pelas regras da razão e da religião.
De Carla a 21 de Setembro de 2007 às 19:37
Grata pelos comentários e sugestões. De facto, "casuisticamente" surge por lapso no contexto. Assim, onde se lê "casuisticamente" deverá ler-se "por acaso", "sem que nada o fizesse prever"...
De Viseu a 24 de Setembro de 2007 às 17:54
É de toda uma mulher da razão. Portadora de um brilho enorme e que nos enche de orgulho por termos privado consigo! E é graças a uma força da natureza rara e sagacidade que, hoje, o futuro se abre para nós. Obrigada :) Lê-la é escutá-la

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